Colégio Brasileiro de Altos Estudos

Av. Rui Barbosa, 762 - Flamengo, Rio de Janeiro

Data

De 1922 até 2021

A história do edifício que atualmente abriga o Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE) está ligada às transformações da cidade do Rio de Janeiro por ocasião da Exposição [1] do Centenário da Independência em 1922. Entre as construções preparatórias para o evento se destacam três hotéis [2]: o Hotel Glória, o Hotel Copacabana Palace e o Hotel Sete de Setembro ou Hotel do Centenário - edificação que hoje pertence à UFRJ.

O edifício principal do Hotel Sete de Setembro é de composição simétrica, destacam-se no primeiro pavimento: dois amplos salões, diametralmente situados em relação à entrada principal, com acesso a pátios internos e à varanda, disposta ao longo de toda a fachada principal, valorizando a vista da paisagem. Há um edifício anexo, com ligação através de passadiço, onde se situava o Restaurante do Hotel.

O Hotel foi um empreendimento da prefeitura de Carlos Sampaio (1920-1922). Sua implantação na Avenida do Contorno [3] foi designada pelo então prefeito, que para tal teve que desapropriar as oficinas do construtor italiano Antônio Januzzi no Morro da Viúva (HERMES,2007).

O próprio Januzzi projetou e construiu o Hotel. Em 14 de julho de 1922, o prefeito Carlos Sampaio visita o hotel e dá as obras por concluídas. A principal motivação do prefeito para a construção do Hotel era a abertura da avenida do Contorno (Avenida Rui Barbosa). Iria vender o hotel para retirar as moradias de população de baixa renda para criar um endereço nobre da cidade.

Entretanto não foi o que aconteceu, conforme notícia do Correio da Manhã intitulada “Interesses da População”, datada de 7 de fevereiro de 1923 (quarta-feira):

“[...] a que contorna o Morro da Viúva, esta só tem um edifício, um só, o Hotel Sete de Setembro, propriedade da Prefeitura que custou 7 mil contos, mas está vazio e vazio ficará.” (Correio da Manhã,15/07/1923)

[1] A Exposição foi visitada de 7 de setembro de 2022 a 2 de julho de 2023 (LEVY, 2010, p.143). [2] Eram três hotéis de luxo: o Hotel Glória, que hospedou chefes de Estado e celebridades durante a Exposição, foi projetado pelo engenheiro alemão Sylvio Riedlinger e construído pela família Rocha Miranda, já o Copacabana Palace foi projeto do francês Joseph Gire e construído por Otávio Guinle, mas só foi inaugurado em 1923 (AZEVEDO,2014, p.72-74). [3] O nome foi alterado para Avenida Rui Barbosa, em 1923, no próprio ano do falecimento (LEVY, 2010, p.141).

Data

2021

Data

2020

Segundo Rocha-Peixoto (In: CZAJKOWSKI, 2000, p.98) o Hotel do Centenário é um raríssimo exemplar da arquitetura eclética “neogrega” na cidade, embora a entenda como “sutil e restrita”.

Atualmente, ações de preservação estão em curso sob coordenação do Escritório Técnico da Universidade (ETU-UFRJ).

No edifício que sedia o CBAE, se realizam atividades do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, palestras abertas ao público e eventos também ligados à memória da Universidade, a exemplo da exposição realizada em 2017 sobre a utilização do próprio edifício como Casa do Estudante e como viria a ser, não fosse a pandemia do Covid-19, uma exposição sobre os 100 anos da UFRJ.

Data

2017

Data

2017

Data

2017

Data

sem data

Data

2004

Data

2004

Data

2004

De acordo com Maria Helena da Fonseca Hermes (2007), em 1995, a UFRJ retomou a posse do edifício para adequação a um novo uso: o Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE). Uma vez que o imóvel já havia sido considerado patrimônio pelo órgão de tutela estadual (Inepac) em 1987, a UFRJ elaborou, em 1997, projetos de captação de verbas para o projeto de restauração e, consequentemente, para adequação do imóvel ao novo uso. Em 2000, foi contemplada com o apoio da Lei Rouanet. As arquitetas Maria Helena da Fonseca Hermes e Regina Carvalho, com o apoio do Inepac, elaboraram o levantamento completo do estado de conservação do conjunto frontal do antigo Hotel com objetivo de registrar o estado destas edificações, anterior aos projetos e às obras [5]. O projeto de restauro e adequação de novo uso do antigo Hotel Sete de Setembro, apesar de não estar totalmente concluído, tornou possível abrigar a sede do CBAE.

[5] HERMES, Maria Helena da Fonseca, CARVALHO, Regina. CADERNOS DE REGISTROS- DOCUMENTOS DO PROJETO DE RESTAURO RB762. UFRJ: RJ, 2003.

Data

1999

Data

1999

Data

1999

Data

2004

O edifício foi tombado pelo INEPAC em 15/06/1989 – Processo nºE-103/11.357/83.

Data

cerca de 1970

Entre 1973 e 1995, o prédio abrigou o CEU - Centro do Estudante Universitário - que, orginalmente, estava localizado na Lapa (rua Visconde de Maranguape nº26) até quando esse bairro passou por readequações e reurbanizações. Foi transferido, a título provisório, para esse edifício, que pertencia a UFRJ, mas estava desativado (Inepac). Lá foram alojados estudantes que não tinham alternativa de moradia e o espaço chegou a se tornar um espaço cultural com a realização de atividades artísticas [4]. Enquanto “Casa do Estudante”, uma população flutuante entre 80 e 120 pessoas viveu períodos em situação bastante precária. Após 20 anos de cessão do espaço, a UFRJ alegando que o mesmo não abrigava exclusivamente estudantes universitários e estava em situação de abandono, pediu a reintegração de posse do imóvel em 1992 (O Dia, 07/04/1992); a saída se deu em 1995.

[4] Sobre a CEU ver GOMES, João Bosco, MOURA DEI OLIVEIRA, Domingos, DEI RIBAS, Carlos. A Universalidade da CEU- Histórias da Casa do Estudante Universitário, FCC: Coletivo CEU: Rio de Janeiro, 2017.

Data

sem data

Data

1971

Data

sem data

O espaço também era apropriado para lazer pelas estudantes. Nas imagens, destaca-se o piso com mosaico em pastilhas.

Data

1929

Data

1929

À época do Internato, destacavam-se o Salão Nobre e o antigo restaurante do Hotel, que era utilizado como Refeitório, onde também ocorriam recepções formais e comemorações. Em ambos, como também em outros salões do edifício, as paredes eram ornadas com saliências retangulares e sancas emolduravam os tetos trabalhados com formas quadrangulares. No Refeitório, a pintura era em branco e dourado e no Salão Nobre, azul e branco (COELHO, 1997).

Data

cerca de 1927

Data

cerca de 1927

Data

cerca de 1927

No hall principal, uma escada de mármore, com grades de ferro e corrimão em cobre dourado, e um elevador retangular com gradis são reconhecíveis, até hoje. Centralmente sob a escada, havia o acesso à Biblioteca, que se abria para ambos os pátios internos. Os quartos duplos ou triplos, nos pavimentos superiores, possuíam a vista frontal do mar, para os jardins internos ou para os fundos; o mobiliário era padrão e com pia apoiada em suporte de ferro.

Data

sem data

Data

sem data

Data

1926

Data

1926

A parte frontal desse conjunto predial (composta do bloco do restaurante, pequeno bloco de passagem, bloco principal) passou a abrigar, de abril de 1926 a 1973, o Internato da Escola de Enfermagem Anna Nery acolhendo cerca de 100 alunas. “Em frente ao Internato, havia também uma descida que dava entrada a um balneário rústico em alvenaria junto às pedras” (COELHO, 1997, p.95).

Data

1922

Data

1922

O Hotel esteve operante durante a exposição (LEVY, 2010, p.140). Posteriormente, a Prefeitura tentou vender o Hotel, mas como não obteve sucesso, o conjunto de prédios que o compunha na parte posterior passou a abrigar, em 1924, um hospital infantil, fundado pelo médico Antônio Fernandes Figueira, que depois tomou o nome de seu fundador - Instituto Fernandes Figueira, incorporado à Fiocruz na década de 1970.

Data

1922

Data

1922

Data

1922

Bibliografia

AZEVEDO, Fernanda. "A Exposição Internacional do Centenário da Independência de 1992: processo de modernização e legado para cidade do Rio de Janeiro". Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2014.

COELHO, Cecília Pêcego. *A Escola de Enfermagem Anna Nery Sua História Nossas Memórias. *Rio de Janeiro: Editora Cultura Médica, 1997.

CZAJKOWSKI, Jorge (Org.) Guia da arquitetura eclética no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro / Casa da Palavra, 2000.

HERMES, Maria Helena da Fonseca. O antigo Hotel Balneário Sete de Setembro: Arquitetura eclética de tendência clássica. 19&20, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, v. II, n.3, jul.2007. Disponível em: http://www.dezenovevinte.net/arte decorativa/hotel_balneario.htm.

INEPAC. Patrimônio, Casa do Estudante. Disponível em: <ipatrimônio.org/rio-de-janeiro-casa-do-estudante-universitário> Acesso em: 25/03/2022.

LEVY, Ruth. A exposição do Centenário e o meio arquitetônico carioca no início dos anos 1920. Rio de Janeiro: EBA/UFRJ, 2010.

Posicione seu aparelho na
horizontal e amplie a experiência
de visitação da exposição