Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira

Rua Bruno Lobo, 50 - Cidade Universitária, Rio de Janeiro

Data

De 1950 até 2021

O edifício do Instituto Nacional de Puericultura, atual IPPMG, foi projetado pelo arquiteto Jorge Machado Moreira, mesmo autor do Plano Geral da Cidade Universitária da UFRJ, iniciado em 1949. Sua inauguração, em outubro de 1953, já como hospital pediátrico, foi um marco na história da Universidade por ter sido o primeiro edifício construído no campus, enquanto a obra ainda estava em execução com o desmonte de morros e extensos aterramentos, que unificaram as oito ilhas existentes, resultando no novo campus de 5,6 milhões de m2 (OLIVEIRA, 2013). À época, o Instituto estava sob a direção do médico e professor Martagão Gesteira, cujo nome lhe foi posteriormente atribuído. O edifício não só possui valor histórico e artístico como patrimônio arquitetônico moderno, mas também, especificamente, como patrimônio da saúde.

Data

2021

Data

2021

Data

2019

Por mais que seu exterior apresente marcas da passagem do tempo e seu interior tenha se transformado para acompanhar a dinâmica evolução das atividades de assistência à saúde, o maior impacto sofrido pelo IPPGM foi a significativa redução e descaracterização de seus espaços livres, causadas principalmente pela construção da Linha Vermelha, em 1994, e da Estação do BRT, em 2014. Tais mudanças descaracterizaram a ambiência litorânea original, tão valorizadas por seus realizadores, seja na construção do que seria a nova paisagem universitária, seja no papel dos espaços livres e da natureza no processo de cura dos usuários do instituto.

Data

2015

O IPPMG possui seu paisagismo e painéis de azulejos tombados pelo Decreto n° 30936/2009 da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, que determina o tombamento provisório das obras paisagísticas de autoria de Roberto Burle Marx na cidade do Rio de Janeiro.

A edificação recebeu o tombamento provisório pelos órgãos responsáveis pela tutela de bens tombados da Prefeitura da cidade do Rio e do Governo do Estado do Rio de Janeiro, respectivamente: Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) em 2016 e Instituto Estatual do Patrimônio Cultural (INEPAC) em 2018.

Data

2003

Data

2003

Atualmente, o IPPMG é umas das unidades do Centro de Ciências da Saúde de UFRJ, sediando atividades de atendimento pediátrico especializado, contendo emergência, internações e consultorias, além de atividades acadêmicas de extensão na área. Também é sede da Escola de Educação Infantil da UFRJ.

Data

1973

Data

década de 1950

Data

1953

Data

1953

Data

1953

Todos os elementos se articulam com precisão de detalhes, dos pilares aos guarda-corpos; fechamentos diferenciados em cobogó, azulejos com padrões geométricos ou revestidos em pedra conferem diferencial experiência nos percursos, quando também se valorizam as vistas para o exterior. No terraço do hospital, destacam-se as curvas das abóbadas concebidas para o espaço de “Recreio” das crianças, onde outrora se viam balanços e gangorras.

Data

década de 1950

Burle Marx assinou um dos painéis de azulejos do IPPMG, ao lado de Evanildo Gusmão e Ayrton Sá Rêgo. Tal elemento artístico, um bem integrado, se situa à entrada do Banco de Leite e Biotério, estendendo-se como amplo plano de superfície em cores que, mais uma vez, singulariza a experiência do edifício.

Data

década de 1950

Data

1953

Data

década de 1950

“Extremamente silencioso no design, tem muito requinte nos detalhes e é executado com um cuidado inusitado no Rio. Muitos dos elementos característicos da arquitetura moderna brasileira podem ser vistos aqui, azulejos de Burle-Marx, telas abertas feitas de elementos de telha, coberturas de abóbadas de concha, mas tudo tratado com a maior contenção.” (HITCHCOCK, 1955, p. 84 apud SANTOS, 2021, p.72)

Data

1953

Data

1953

Data

década de 1950

O edifício conjuga ortogonalmente planos e volumes prismáticos, com ênfase horizontal, definidos a partir de malha racional, mas que se singulariza pontualmente com fechamentos em curva ou oblíquos. A ascendência à linguagem moderna e purista de Le Corbusier é clara, bem como à visão construtiva funcional da Bauhaus, onde cada volume atende a uma função específica em um conjunto articulado que, no caso, se compõe dos Blocos A – pupileira, B – Banco de leite e biotério, C- Hospital e D -Ambulatório.

Segundo Toledo (2020 apud SANTOS, 2021, p. 73), Jorge Moreira reconheceu e revalidou as qualidades arquitetônicas do modelo pavilhonar de hospitais, tanto nas condições de iluminação e ventilação naturais quanto no contato direto com o meio ambiente natural. As circulações tiveram especial atenção, separando os acessos de funcionários e público.

A relação entre os blocos “gera pátios abertos para a paisagem, suas conexões sublinham tanto a autonomia de cada setor quanto a sua coordenação ao conjunto.” (CZAJKOWSKI (Org.), 1999, p.132)

A ortogonalidade dominante no edifício tem seu contraponto nas curvas orgânicas do projeto paisagístico de Roberto Burle Marx de 1953, artista que criou uma linguagem moderna dos jardins, internacionalmente, ao mesmo tempo em que, de fato, definiu um “paisagismo tropical” baseado na valorização de biomas e espécies nativas (CAVALCANTI, 2009).

Data

1953

Ana Albano Amora (2019) destaca a relação entre arquitetos modernos, o programa hospitalar e a atuação do Estado durante a estruturação das instituições públicas de saúde no início da República. A ampla construção de hospitais, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, resultou na criação do Ministério da Educação, Saúde e Assistência Pública e, posteriormente, no Ministério da Saúde, criado pela Lei 1.920 de 1953, mesmo ano em que o Instituto de Arquitetos do Brasil do Brasil realizou, em São Paulo, o primeiro Curso de Planejamento Hospitalar. Ano também em que na II Bienal Internacional de São Paulo, realizada pelo Museu de Arte Moderna, houve a primeira premiação da categoria de edificações hospitalares, quando o projeto do Instituto de Puericultura e Pediatria da Universidade do Brasil foi premiado (Amora apud SANTOS, 2021, p. 34).

Data

Década de 1950

Data

Década de 1950

Data

Década de 1950

Data

1950

Bibliografia

AMORA, Ana Albano; SOUZA, Eliara Beck. “A cidade e a saúde no Rio de Janeiro, da sua fundação aos anos de 1920”. Boletim Eletrônico da Sociedade Brasileira da História da Ciência, n. 5, 2015. Disponível em: ‹https://www.sbhc.org.br/conteudo/view?ID_CONTEUDO=829›. Acesso em: 20 ago. 2021.

CAVALCANTI, Lauro. “Roberto Burle Marx 100 anos: a permanência do instável”. In: CAVALCANTI, Lauro; EL-DAHDAH, Farés [org.]. Roberto Burle Marx 100 anos: a permanência do instável. Rio de Janeiro: Rocco, p. 44-61, 2009.

CZAJKOWSKI, Jorge [org.]. Jorge Machado Moreira. Rio de Janeiro: CAU-RJ, 1999.

SANTOS, Leonardo Mesquita. “Patrimônio Moderno da Saúde – Plano de Conservação do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira”. Dissertação de Mestrado Profissional em Projeto e Patrimônio, FAU-UFRJ, 2021.

OLIVEIRA, Antonio. “O Instituto de Puericultura e a Cidade Universitária da Universidade do Brasil”. In: RODRIGUES, Ana Lúcia de Mello... [et al.]. Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira – 60 Anos. Ana Lúcia de Mello Rodrigues. Rio de Janeiro: UFRJ, 2013, p. 10-13.

Posicione seu aparelho na
horizontal e amplie a experiência
de visitação da exposição