Museu Nacional

Quinta da Boa Vista - São Cristóvão, Rio de Janeiro

Data

De 1830 até 2021

O local onde se situa o edifício do Museu Nacional era inicialmente, entre 1565 e 1759, uma fazenda da Companhia de Jesus, chamada Fazenda de São Cristóvão, que acabou dando nome ao bairro. Expulsos os jesuítas do Brasil, partes das terras dessa fazenda foram adquiridas por um comerciante, Elias Antônio Lopes, que adquire uma chácara com uma residência. Esta casa se localizava em uma elevação ao centro da propriedade, o que permitia da mesma, de um lado, avistar-se o mar, e, do outro, a Floresta da Tijuca e o Corcovado, ficando por isso conhecida como “Quinta da Boa Vista” (DANTAS, 2007b, p.3).

Com a chegada da Corte ao Rio de Janeiro, Elias oferece sua residência e a chácara à D. João VI. De acordo com Silva Telles (2001, p.148), a casa se tratava de “um exemplar excepcional” em relação às demais casas rurais em torno da Baía de Guanabara. Possuía “telhado de beiral e amplo avarandado de vinte colunas na fachada”.

Data

2021

Data

2019

Data

2019

Data

2019

Data

2019

Desde o sinistro, estão sendo empreendidos vários projetos e ações de consolidação estrutural e investigações arqueológicas para resgate do acervo, projetos de restauração do edifício, renovação e ampliação do Museu com um anexo e novo projeto museológico e expográfico, todos com apoio da UNESCO. Pelo contínuo trabalho de docentes, técnicos e discentes da UFRJ o Museu Nacional resiste e vive.

Data

2018

Data

2018

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2018

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2018

Data

2018

Data

2017

Até o traumático incêndio, ocorrido em 2 de setembro de 2018, a fachada principal ainda mantinha as características da composição classicizante do Segundo Reinado. O Museu Nacional era amplamente reconhecido por seu papel como "museu educador", visitado por gerações de crianças e grupos de escolas, além de público geral e acadêmico não só pelo valor de sua coleção, mas dado seu vínculo com a atividade de pesquisa na Universidade.

Data

cerca de 2010

Data

cerca de 2010

Data

2014

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2014

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2014

Data

2014

Ao longo das últimas décadas, com a participação da divisão de imóveis tombados da UFRJ (DIPRIT, atual COPRIT - ETU), foram realizados projetos e ações de restauração no edifício. No bloco principal, também no torreão norte, foram conservadas as chamadas “salas históricas”, a Sala do Trono e a dos Embaixadores, que possuíam estuques e pinturas em tetos, sancas e paredes, valorizando a memória do período imperial no edifício.

Data

2002

Data

2002

Data

2002

Data

cerca de 1970

Data

1957

Data

1959

Data

cerca de 1940

O Museu Nacional é incorporado à UFRJ, em 1937, quando ainda era Universidade do Brasil. De acordo com Silva Telles (2001, p. 149): “São de valor notável, no plano nacional e mesmo no internacional, as coleções, notadamente a arqueológica, além da biblioteca especializada do Museu Nacional”.

O Paço de São Cristóvão – Museu Nacional - foi tombado pelo IPHAN em 15/05/1938 Processos nº101-T, 154-T e 77-T, Inscrição nº23, Livro Histórico, fls.5, Inscriçãonº51, Livro das Belas-Artes, fl.10, e, em 14/04/1948 Inscrição nº14, Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, fls.4.

Data

cerca de 1930

Data

cerca de 1930

Data

1921

Data

1925

Data

1926

Data

1928

Data

cerca de 1880

Data

1888

Nessa mesma época do Segundo Reinado, foi inaugurado, em 1876, o jardim da Quinta da Boa Vista, projetado pelo paisagista francês Glaziou [2], reconhecido por seu caráter romântico, tombado em 1938. À esquerda do Palácio, em um terraço, destacava-se outro jardim de concepção romântica, típico da segunda metade do século XIX – conhecido como “Jardim das Princesas”: “Bancos, mesas, fontes de alvenaria, com decoração de embrechados de conchas, azulejos e louças, [...]” (SILVA TELLES, 2001, p.149).

Com a Proclamação da República, o Palácio de São Cristóvão foi transformado em sede da Assembleia Constituinte em 1892. Entretanto, em 1890, ocorreu um leilão com o objetivo de liquidar todos os pertences do antigo Paço. No mesmo ano de 1892, após a saída da Assembleia, o antigo Museu Real [3], situado no Campo de Santana, é transferido para o Palácio, e seu acervo é acrescido com alguns objetos do “museu do imperador” que poderiam representar as ciências naturais e arqueológicas - a exemplo do meteorito de Bendengó [4]. O edifício então transforma-se no Museu Nacional e sofre novas reformas para adaptar-se ao novo programa: vãos são emparedados, salas são ampliadas, símbolos imperiais são retirados de ornatos parietais e cômodos são destruídos, como é caso do Observatório Astronômico de Pedro II (DANTAS, 2007b, p.7), que se via acima do torreão norte.

[2] “Glaziou veio ao Brasil a convite do monarca (Pedro II), em 1858, para coordenar a Diretoria de Parques e Jardins da Casa Imperial. Após o banimento, continuou no país até 1897, quando foi aposentado do cargo” (DANTAS, 2007b, p.9). [3] O Museu foi fundado com a designação de Casa dos Pássaros por D. Luís de Vasconcelos (governo de 1778 a 1790) em prédio existente no antigo Campo de Lampadosa, Rua do Erário, hoje Av. Passos. No reinado de D. João VI se instalou em edifício no Campo de Sant’Ana. [4] Um fragmento de meteorito foi encontrado em 1784 a 35 km de Morro Santo, interior da Bahia. No ano seguinte, na primeira tentativa de transportá-lo, a carreta partiu e ele caiu no fundo do rio Bendegó, que acabou por nomeá-lo. Posteriormente, por esforço de cientistas estrangeiros que não se conformavam com aquela "pedra diferente" no fundo do rio, a Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro, com o apoio do Governo Imperial, criou uma réplica em madeira para ser exposta no Pavilhão do Brasil na Exposição Universal de Paris de 1889. O Bendegó é reconhecido como um meteorito e passa a ser o maior meteorito exposto em um museu, na ocasião, no mundo. Sobre a transposição do Bendegó do interior da Bahia para o Museu Imperial (antigo Museu Real - Campo de Santana) e depois para o Paço de São Cristóvão, ver: DANTAS;SILVA, 2016./p>

Data

1876

A linguagem classicista vai se consolidar no Segundo Reinado que vai “reedificar” não só o torreão norte, como todo o corpo central do Palácio. De acordo com Silva Telles (2001, p.148), todo o palácio foi “reformado”. As obras acontecem em várias fases e com diferentes arquitetos, começando, a partir de 1847, sob a direção de Manuel Araújo Porto Alegre (ROCHA-PEIXOTO IN CZAJKOWSKI,2000, p.109).

Regina Dantas (2007) descreve algumas das alterações realizadas, neste período no Palácio, por diferentes profissionais:

"[...] dentre as principais modificações destacamos: o nivelamento da fachada do prédio em três pavimentos; a colocação de 30 estátuas de deuses gregos em toda extensão do telhado. A partir de 1857, com Theodore Marx, as Salas do Trono e do Corpo Diplomático foram transferidas do térreo para o segundo pavimento do torreão norte, com pinturas do italiano Mario Bragaldi. Em cima do telhado, do mesmo torreão, em 1862, foi construído por Francisco Bettencourt da Silva, o Observatório Astronômico do Imperador todo envidraçado para observações celestes; e ao lado direito do prédio foi edificada uma torre contendo um grande relógio." (DANTAS, 2007a, p.5)

Data

1858

Data

cerca de 1830

Entretanto, como se reconhece a partir de desenhos de Debret, assim que a casa foi adquirida pela família real, começaram as obras, pois se tratava de transformá-la em uma residência à altura. Entre 1812-1816, o arquiteto inglês John Johnson estava no Rio de Janeiro para instalar o portão de ferro, que D. João tinha ganho de presente do embaixador da Inglaterra em 1812 (o 4º Duque de Northumberland) para ser colocado em frente à residência imperial [1]. O arquiteto projetou quatro pavilhões com “feição neogótica”, mas apenas um foi construído: o torreão norte (em dois andares) (DANTAS, 2007b, p.4).

D. Pedro I continua as obras, mesmo depois da Independência, mas em uma outra linguagem. Constrói, nos fundos e na frente, o torreão sul com três andares, este com “feição neoclássica”. As alterações mais significativas ocorreram na fachada principal com elementos classicizantes. A princípio, o Imperador trabalha com o arquiteto português Manuel da Costa (1822-1826) e depois, com o francês Pierre Pézerat (1828-1831) (ROCHA-PEIXOTO IN CZAJKOWSKI,2000, p.109).

[1] Lord Percy (1792-1865). Em 1909, este portão foi transferido para entrada do Jardim Zoológico. (ROCHA-PEIXOTO IN CZAJKOWSKI, 2000, p.109)

Bibliografia

DANTAS, Regina M.M.C. "A Casa do Imperador: do Paço de São Cristóvão ao Museu Nacional." Dissertação (Mestrado em Memória Social) Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Memória Social, Rio de Janeiro, 2007a.

_______. "A Casa do Imperador. Do Paço de São Cristóvão ao Museu Nacional." In: Universidade e os múltiplos olhares de si mesma- seminário “Memória, documentação e pesquisa” SIBI, UFRJ, abril 2007b.

DANTAS, Regina M.C.D.; SILVA, Paulo V.A. da. "Uma análise histórica sobre o meteorito de Bendegó e sua representação científica junto ao Museu Nacional". In: Anais Eletrônicos do 15º Seminário Nacional da História da Ciência e da Tecnologia . Florianópolis, Santa Catariana

CZAJKOWSKI, Jorge (Org.) Guia da arquitetura colonial, neoclássica e romântica no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro / Casa da Palavra /, 2000.

TELLES, Augusto C. da Silva. Guia dos bens tombados da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 2001.

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