Palácio Universitário e Remanescentes do Hospício

Av. Pasteur, 280 - Urca, Rio de Janeiro

Data

De 1856 até 2021

O Palácio Universitário foi projetado para ser a edificação principal do Hospício Pedro II, na Praia da Saudade, atual Av. Pasteur (GERSON, 2000, p.296). De acordo com Moreira de Azevedo (1969, p.471), a pedra fundamental da construção foi lançada em setembro de 1842. Tratava-se do projeto do primeiro hospício especializado no tratamento de doentes mentais no país, implementado pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. O hospício foi inaugurado em 5 de dezembro de 1852, entretanto, suas obras só foram concluídas em 1855.

O projeto foi, inicialmente, de Domingos Monteiro, com ingerência na fachada, no pórtico e na capela, dos arquitetos José Maria Rabelo e Joaquim Cândido Guillobel (SILVA TELLES,2001, p.128). A litografia de Bachelier de 1861, baseada na fotografia de Victor Frond de 1859, é o registro iconográfico conhecido mais antigo do hospício.

Sua capacidade era para 300 pacientes, mas em 1862 abrigava 384 alienados. A distribuição dos espaços seguia três princípios: sexo, econômico e comportamento. A divisão por sexo separava o edifício em dois lados: o feminino – do lado esquerdo do edifício e o masculino – do lado direito do edifício; o econômico: primeira classe – quartos individuais, segunda classe - quartos duplos e terceira classe e indigentes – enfermarias com até quinze alienados; por último, o comportamento que separava “alienados tranquilos”, “agitados”, “imundos” e “acometidos de moléstias acidentais” (Caetano Apud DUQUE, 2009, p.169).

De acordo com Doralice Duque (2009, p.169,170.), dois fatores foram muito importantes para garantir o sucesso dos tratamentos no Hospício Pedro II, o arranjo interno citado acima e a criação de oficinas de trabalho, em 1854. Moreira de Azevedo descreve as oficinas masculinas que ficavam à direita do Palácio:

“Constam essas casas (oficinas) de uma porta e quatro janelas de peitoril, tento um frontão reto e um óculo no tímpano. Estão de um lado as oficinas de sapateiro, alfaiate, marceneiro, florista e de desfiar estopa, que são as dos homens “(MOREIRA DE AZEVEDO, 1969, p.477).

Data

2021

Data

2016

Atualmente, ocupam o Palácio Universitário: o Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), o Instituto de Economia (IE), a Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (Facc), a Faculdade de Educação (FE), a Escola de Comunicação (ECO), e o Fórum de Ciência e Cultura (Facc).

Data

2016

Data

2016

Data

2016

Data

2007

Data

2014

De acordo com a arquiteta Simone Viana [3] (2015, p.119), após o incêndio, restaram da capela apenas o coro, os balcões do terceiro piso (à época do hospício, utilizados pelos internos mais tranquilos) e as paredes. A proposta de intervenção, em 2013, com consultoria do arquiteto Cyro Lyra, teve como premissa reconstruir a capela como espaço religioso, recuperando sua última feição.

[3] A arquiteta dirigiu a equipe de projeto executivo restauração do Palácio Universitário, em especial da Capela, encomendado à firma Retrô Projetos de Restauração, realizado em 2013.

Data

2011

Data

2018

Infelizmente, em 28 de março de 2011, um incêndio no corpo central destruiu a Capela São Pedro de Alcântara, também conhecida como "Capela da Reitoria". Eram parte do lugar peças de valor artístico como as imagens de Cristo, esta em ferro fundido, e de São Pedro de Alcântara, esculpidas pelo artista alemão Pettrich. O espaço, outrora parte do Hospício, era muito utilizado pela Universidade e reconhecido como parte da vida da cidade, com a realização de cerimônias de casamento e também usado como locação para filmagens.

Data

2009-10

Data

2009

Data

2009

Shows abertos ao público são parte da vida universitária nas décadas de 1990 e 2000.
Já nos anos 1980, as dependências Universidade na Praia Vermelha davam lugar a atividades culturais, cursos e debates abertos ao público. Shows musicais ocorriam todas às quintas-feiras no Teatro de Arena e a piscina do campus era cedida para a recreação de alunos das escolas nas imediações (Jornal do Brasil, 22 de julho 1987).

Data

2014

A edificação da sede hoje da Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB), onde a princípio funcionou o Pavilhão das Imundas, nas obras de 1890 e 1893, foi adaptada para uma espécie de escola de enfermeiras. A FUJB foi criada em 1975 e empreendeu um projeto de restauração do bem, em 1981, de autoria do professor e arquiteto Alcides Rocha Miranda. O imóvel foi tombado pelo INEPAC, processo E-18/300.321/87, em 6 de setembro de 1990.

Data

2008

Também se preserva o “anfiteatro para aulas”, o edifício eclético com planta retangular e duas terminações circulares, em suas laterais [1]. Era conhecido como Pavilhão de Psychologia Experimental Teixeira Brandão, e posteriormente passou a ser chamado de Teatro Qorpo Santo, em homenagem ao nome do dramaturgo José Joaquim de Campos Leão. A composição desse edifício facilmente também se adapta à forma de um teatro, sendo utilizado em projetos de cura da loucura através desta arte [2].

[1] O anfiteatro como programa arquitetônico, exceto aquele criado pelos romanos para espetáculos públicos, “tanto pode ser a parte do teatro fronteira ao palco como o conjunto de arquibancadas de uma sala de aula, ou de laboratório, ou de conferências” (CORONA & LEMOS, 1972).

[2] Como o projeto Andarilhos Mágicos do Hospital Dia do Centro Psicossocial do Instituto de Psiquiatria (IPUB/UFRJ), em 1990, que tinha como objetivo, através do teatro, a inclusão social da loucura.

Data

2008

Além do Palácio, podemos identificar alguns dos edifícios que ainda existem no Campus da Praia Vermelha, mesmo que alterados, e que pertenceram ao complexo do Hospício Pedro II. Dos Pavilhões de Observação: o do centro, visto acima, que era para os alunos residentes e o da esquerda - o Magnan, que era o Pavilhão das Mulheres. Desapareceu o Meynert, aquele dedicado aos pacientes homens. Esses edifícios não têm proteção alguma.

Data

Década de 2000

Data

década de 2000

Data

1998

Data

1975

Data

Década de 1970

Data

Década de 1970

O Palácio Universitário foi tombado pelo IPHAN em onze de julho de 1972 – Processo n º 503T, Inscrição nº 438, Livro Histórico, fls 72.

Data

1968

Data

1965

Data

1960

Data

1956

Data

Década de 1950

Data

Década de 1950

Data

Década de 1950

Data

Década de 1950

Data

Década de 1950

Na fachada principal, destaca-se o pórtico com dupla colunata jônica, em cujo friso foi inscrito o nome da Universidade e, no frontão, o seu símbolo - a Minerva. O edifício, ainda possui três pátios de cada lado, a partir do corpo central, que apresentam galerias em arcadas, revestidas com azulejos portugueses.

Data

1947

Data

1947

Juliano Moreira foi aposentado compulsoriamente em 1930, no governo de Getúlio Vargas. Em 1944, a edificação encontrava-se em ruínas e, após a transferência dos pacientes para as colônias de Jacarepaguá e Engenho de Dentro, ficou vazia. Foi então ocupada pela Universidade do Brasil a partir de 1949.

Data

Cerca de 1940

Data

Cerca de 1940

Data

Cerca de 1940

Data

1926

O escritor Lima Barreto esteve internado no antigo hospício, período descrito em seu livro * Cemitério dos Vivos *. À época, o local era conhecido como “casarão da Praia da Saudade” pois dali ela era avistada, antes da construção da muralha que passou a impedir o avanço do mar para a Praia Vermelha. Nas anotações do dia 4 de janeiro de 1920, ele observa sobre a ambiência:

“O hospício é bem construído e, pelo tempo em que o edificaram, com bem acentuados cuidados higiênicos. As salas são claras, os quartos amplos, de acordo com a sua capacidade e destino, tudo bem arejado, com o ar azul dessa linda enseada de Botafogo que nos consola na sua imarcescível beleza, quando a olhamos levemente enrugada pelo terral, através das grades do manicômio, quando amanhecemos lembrando que não sabemos sonhar mais... (...) não posso deixar de consignar a singular mania que têm os doidos, principalmente os de baixa extração, de andarem nus. Na Pinel, dez por cento assim viviam, num pátio que era uma bolgia do inferno. Por que será?”

Data

Cerca de 1912

Data

Cerca de 1912

Data

1903

Em 26 de março de 1903, Juliano Moreira assume o cargo de diretor do Hospício Nacional dos Alienados e empreendeu mais algumas modificações tais como: ampliação dos pavilhões, aquisição de novos equipamentos necessários a melhoria do funcionamento e "a nova orientação que pretendia imprimir ao estabelecimento, mais voltado a partir dali para o desenvolvimento de pesquisas médicas” (HOSPÍCIO DE PEDRO II, 18/03/2022).

Data

Cerca de 1890

Data

Cerca de 1912

O decreto que desvincula o Hospício Pedro II da Santa Casa da Misericórdia tornando-o parte do Estado e intitulado Hospício Nacional dos Alienados é de 15 de fevereiro de 1890 (Venâncio Apud VAZ DE OLIVEIRA, 2013). Neste período, o Palácio abrigava a diretoria do Hospício, a administração, o serviço sanitário, doentes pensionistas, o serviço de cirurgia e a farmácia.

Entre 1890 e 1893, o edifício principal, pavilhões e oficinas sofreram reformas e acréscimos. No Palácio, foram acrescidas seis alas com dois pátios internos e duas construções novas.

Estas modificações não foram só no edifício principal, mas em construções anexas para abrigar escolas de enfermeiras e outras como pavilhão de observação dos pacientes, que marcou o início da psiquiatria no Brasil.

O conjunto originalmente formado por quatro pequenas edificações ecléticas das quais só permaneceram três, compõe o Pavilhão de Observações. Em 1884, Dr. Teixeira Brandão, entra como clínico facultativo do Hospício e reclama a necessidade da criação de um local onde os indivíduos “suspeitos de alienação mental” pudessem ficar um período em observação para confirmar o diagnóstico. Em 7 de outubro de 1893, consegue aprovar o Decreto 1559, que torna o Pavilhão de Observações parte da Assistência dos Alienados, e é conhecido como o marco do início da psiquiatria no Brasil. O Pavilhão de Observações do Hospício é inaugurado em 1894, composto por quatro estabelecimentos:

“Dispondo de um anfiteatro para aulas, local para residência de estudantes e duas seções para pacientes, Magnan para mulheres e Meynert para homens [...]” (VAZ DE OLIVEIRA,2013)

Dentre as modificações ocorridas no Hospício desde o final do século XIX, destacam-se os corpos intermediários, que tinham um pavimento e ligavam os antigos torreões, passam a ser utilizados como terraços. Uma vez que nestes terraços foram construídas guaritas de vigias para observar os pacientes que circulavam nos pátios, Caetano as interpreta como uma “recriação modesta da torre de Panóptico, citada por Foucault” (Apud Duque, 2009, p.170).

Data

1872

O Hospício Pedro II foi construído em terras de duas antigas chácaras, grandes propriedades localizadas fora do centro urbano, cujos lotes foram sendo adquiridos e/ou doados para Santa Casa. Na reprodução da pintura óleo de Facchinetti de 1876, em vista tomada a partir do Forte do Leme, é possível notar toda a extensão da propriedade que, na ocasião, ia até a beira do mar, na Praia da Saudade, possuindo inclusive um ancoradouro. Parte destas terras vão conformar o Campus da Praia Vermelha.

Data

1861

Bibliografia

CALMON, Pedro. O Palácio da Praia Vermelha. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2002.

DIAS, Maria Ângela; Nóbrega, Claudia. Campus da UFRJ In: DIAS, Maria Ângela; TÃNGARI, Vera; DINIZ, Célio. (Coord.) Academia 7. Rio de Janeiro: UFRJ/ FAU, 1999. p.20-33.

GERSON, Brasil. História das ruas do Rio: e da sua liderança na história política do Brasil. 5ª ed. Notas, introdução, fixação do texto _ Alexei Bueno; Rio de Janeiro: Lacerda Ed., 2000.

Hospício Pedro II: da construção à desconstrução ccms.saúde.gov.br/hospício/index.php (acesso em 18/03/2022)

MOREIRA DE AZEVEDO. O RIO DE JANEIRO: sua história, monumentos, homens notáveis, usos e curiosidades. 3ª ed. Rio de Janeiro: Livraria Brasiliana Editora, 1969.

LIMA, Roni. “UFRJ organiza laboratório de ideias”. Jornal do Brasil, 22 de julho de 1987.

SOBRAL FILHA, Doralice Duque. "Lazer, Saúde e Ordem: Principais programas desenvolvidos na arquitetura do século XIX no Rio de Janeiro e no Recife." Dissertação de Mestrado – Rio de Janeiro: UFRJ/FAU/PROARQ, 2009.

VAZ DE OLIVEIRA, William. "A cidade observada: o Pavilhão de Observações do Hospício Nacional de Alienados e o Ensino de Psiquiatria no Brasil. Conhecimento Histórico e Diálogo Social." XXVII Simpósio Nacional de História _ANPUH, Brasil, RN, Natal, 22ª26 de julho de2013.

VIANA, Simone. “Projeto de Restauração”. In: BORDE, Andrea; BELLINHA, Paulo (org.). Conservação e reativação do patrimônio universitário. Rio de Janeiro: PROURB, 2015.

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